quinta-feira, 18 de setembro de 2014
quarta-feira, 17 de setembro de 2014
O Preço do Orgulho
Os afazeres nas manhãs de sábado, naquela
família, eram rotineiros, quase tradicionais. Era o dia da faxina.
Cabia à mãe coordenar as atividades,
distribuindo às filhas os deveres domésticos, enquanto aos filhos cabiam os
deveres do mundo.
Injusta ou não, essa era a estrutura familiar
vigente.
Certa manhã, após grande esforço físico e
tempo dedicado, Cecília terminava de encerar e fazer brilhar o assoalho da
sala.
Sem os recursos da tecnologia, fazer com que
as tábuas de madeira, gastas com o tempo, reluzissem tal qual a mãe queria, não
era tarefa fácil.
Quase a concluir o serviço, surgiu à porta
seu irmão gêmeo, Jeremias.
Ao vê-lo adentrar a sala, imediatamente
Cecília o proibiu de dar um passo a mais. Afirmava que ele deveria dar a volta,
pelos fundos da casa e entrar pela cozinha. Nem pensar em atravessar a sala,
perfeitamente brilhante, como desejava a mãe.
Ele insistiu e deu
uns passos para dentro. Ela, cansada, ficou com muita raiva e gritou: Se
pisar nesta sala, que estou acabando de encerar, nunca mais falo com você!!
O irmão achou divertido o desafio. Riu e
andou, a passos firmes, sala adentro.
Furiosa com as pegadas empoeiradas do irmão,
que ficou do outro lado, a afrontá-la, tomando tudo como uma grande
brincadeira, Cecília cumpriu sua promessa.
Nos primeiros dias, todos os familiares
acreditavam que se tratava de uma birra.
Porém, as semanas foram passando céleres, e o
silêncio entre os dois não se modificou.
Ela não cedia, pois havia feito claramente
uma promessa. Ele não se aproximava, pois via naquilo tudo uma infantilidade da
irmã.
Os anos foram se somando. O silêncio passou a
ser hábito entre os dois.
Eles se enamoraram cada qual se casou e
deixou a casa dos pais, constituindo suas próprias famílias.
Os anos não modificaram a disposição de
nenhum deles. Ninguém cedeu, tentou reaproximação, diluir algo que acontecera,
num dia que já se fazia distante.
Vinte e cinco anos se passaram desde aquela
tolice de uma manhã de sábado.
O telefone tocou e a notícia atingiu o
coração de Jeremias como um gélido punhal.
Rapidamente foi ao encontro da irmã no
hospital, vitimada por um acidente vascular cerebral.
Ao vê-la imóvel no leito, deu-se conta dos
anos corridos, da grande tolice que ambos se permitiram.
Por orgulho, mantiveram silêncio por tantos
anos, afastaram-se um do outro, deixaram de conviver, de estreitar ainda mais
os laços do afeto.
Tudo por não querer ceder, não dar o primeiro
passo, fazer o primeiro gesto, no sentido da reconciliação, de um simples
pedido de desculpas.
Por quê? - Perguntava-se ele,
aturdido, ante a irmã imóvel, no leito do hospital.
Qual o preço de tão absurdo orgulho? Abrira
mão da convivência, do compartilhar a vida com ela, por orgulho.
Afinal, ele sempre esperara que ela, que
fizera a promessa, tomasse a iniciativa da reconciliação e voltassem a se
falar, a conviver.
Agora, ante a dura lição, ele pôde aquilatar
o preço que pagara pelo seu orgulho.
Logo mais descobriria que a irmã não
retornaria à consciência.
*
* *
Tolo orgulho o que carregamos no coração.
Repensemos nossas atitudes e, se descobrirmos que alguém aguarda nossas
desculpas, caminhemos em sua direção, de imediato, sem aguardar o amanhã.
Sejamos nós a dar o primeiro passo, a
estender a mão, a sorrir, a viver bem.
Redação do Momento Espírita.
Em 27.8.2014.
Em 27.8.2014.
sexta-feira, 12 de setembro de 2014
Meditação e Espiritismo - Jomar Morais e anotações do blog
Não há incompatibilidade entre
Meditação e espiritismo.
Meditação: É uma técnica
de aquietação e centramento da mente. Pode ser aplicada em todas as situações da vida. A prática da
meditação permite aprofundar a vivência da religião e da filosofia de vida,
escolhidas. Trás clareza de visão, centramento, equilíbrio psicológico
emocional e equilíbrio espiritual.
No tempo de Alan Kardec a
meditação era praticada em mosteiros e não aparece na codificação.
As questões 913 a 919 do Livro
dos Espíritos trazem esclarecimentos a respeito do egoísmo, o vício raiz do dia
a dia - Esclarecimentos de Fénelon e Santo Agostinho.
O que é necessário para que
superemos a questão do egoísmo?
Trazendo um ensinamento que
Sócrates aprendeu no Oráculo (onde as pessoas iam buscar saber o futuro),
Templo de Apolo em Delfos – “Homem conhece-te a ti mesmo” – Autoconhecimento.
Santo Agostinho propõe uma
prática que podemos dizer ser a prática da meditação.
“No final do dia fazer um exame
de consciência, observar todos os atos do dia”.
Meditação formal – Hoje que vem
dos sábios do passado. Tentamos observar o “Aqui e agora” – Centramento da
mente – Autoconhecimento.
Meditação: Prática de
controle mental. Aquietação mental e centramento mental.
Nossa mente é irrequieta por
natureza e produz constantemente macaquinhos que nos puxam para o presente ou
para o passado.
Quanto se tem excesso de
pensamentos de passado – Angústia, tristeza.
Quanto se tem excesso de
pensamentos de futuro – Ansiedade – Projeção.
Nossos pensamentos nos puxam para
o passado ou para o futuro e não nos deixam ficar no presente.
A mente foge do presente. E o
presente é aquilo que é – A VIDA.
Não se pode realizar nada se
estivermos no passado o no futuro e a VIDA REAL é o “AQUI E AGORA”.
A prática da meditação visa fazer
com que a mente não se distraia com os macaquinhos que puxam nossos pensamentos
para o passado ou para o futuro – Centra no presente. Esteja integralmente onde
você está.
Faça integralmente aquilo que
está fazendo, com atenção plena e com a mente alerta. Num estado de mente
alerta e atenção plena não existe ansiedade e nem angústia – “EXISTE
SERENIDADE”.
A meditação é uma técnica que
visa alcançar esta meta – A qualidade de vida melhora consideravelmente por que
você está em equilíbrio, em perfeito equilíbrio e tem condições de observar
sem julgar.
O que torna a prática da
meditação mais difícil para os adultos são os nossos hábitos e
condicionamentos. A prática da meditação leva a nos descondicionarmos.
O objetivo final da meditação é
ficar com a mente alerta 24 horas por dia.
Deixar pleno – Vivendo o aqui
e agora, vivendo a plenitude da vida, com perfeita clareza, com perfeita
consciência, com possibilidade de observação, de não ser distraído por
pensamentos que nos leva para o passado e para o futuro que nos levam
constantemente a julgar, a rotular e ficar etiquetando os eventos. Isso faz com
que não fiquemos abertos para o movimento da vida, para o novo.
Estamos sempre presos aos
conhecimentos e às fixações que ajudam a mente a ficar nesse movimento
repetitivo. A Meditação rompe com tudo isso.
Meditação é simples e vai nos
trazer a simplicidade e naturalidade da vida, aquela que temos ao nascer.
Respiração - A aculturação
e a educação nos torna contidos. A respiração que era abundante e natural passa
a ser estrita. Passamos a respirar somente do diafragma para cima. Tensões,
estresse do dia a dia faz com que aprisionemos a respiração. A prática da
meditação vai romper com tudo isso. Leva de volta no tocante à respiração
àquela naturalidade e simplicidade e estarmos perfeitamente prontos para
observar a vida.
A Meditação faz parte da tradição
cristã.
A meditação surgiu com os
eremitas orientais. Dentro da cultura Védica (*), muitas pessoas se dirigiam às
florestas e ficavam ali em estado de aquietamento da mente, concentradas até
surgir os “insights” – Iluminação.
Outras culturas – Judaica – Jesus
passou 40 dias e 40 noites meditando e orando no monte.
Meditar é silenciar. É fazer o
caminho interno. É impossível encontrar a paz, felicidade e equilíbrio fora de
si. O que buscamos está dentro de nós. O caminho da iluminação é o caminho
interno. Na verdade já estamos no lugar que queremos estar. Não conseguimos ver
devido ao transtorno natural da mente. A meditação vai fazer com que consigamos
ficar nesse ponto onde já estamos. Ganhamos consciência, clareza de visão no
ponto onde já estamos.
A meditação é compatível e
necessária ma vida atual de desconexão espiritual.
As pessoas estão escravizadas ao
tempo, aos compromissos, ao ter, à acumulação – nada disso resolve nossa
questão existencial.
Após adquirir tudo o que se
queria, somos lançados ao vazio existencial. O que necessitamos está dentro de
nós.
A solução existencial,
espiritual, está dentro de nós.
A meditação quebra esses
condicionamentos, essas fixações.
Benefícios da meditação
Todos os estudos efetuados por 60
anos atestam efeitos positivos sobre a vida psicológica e sobre o corpo do
indivíduo.
Meditação é exatamente você
tirar de você mesmo a expectativa. Ficar no presente. Não é avaliação.
Notório e comprovado que a
meditação equilibra o corpo e a mente:
- Regula a produção de adrenalina e cortisol.
- Elimina os focos de medo e
tensão.
- Estimula a produção no cérebro
de neurotransmissores como a serotonina – substância essencial para o
equilíbrio emocional. Regula o sono e nos deixa alerta.
- Estimula a produção de
endorfinas que nos trazem sensação agradável, leveza, anestésica (doenças
dolorosas).
*.*.*
Centro de estudos que onde se
estuda os pontos comuns das diferentes tradições religiosas – Deus,
Impermanência do ser, Permanência da vida, Amor, Justiça, etc.
Melhor ponto de apoio da
meditação é a respiração.
Anotações do blog:
(*) – Vedas
Escrituras sagradas ligadas à
religião hindu.
Espinha dorsal de toda a cultura
hindu, também chamada de tradição védica.
É a visão que permeia todos os
braços do conhecimento e as práticas religiosas da Índia, que devido a sua
ancestralidade influenciaram muitas das outras culturas presentes hoje.
Os Vedas através de seus versos,
que são chamados de mantras, estão por detrás de muitas práticas religiosas e
espirituais.
Há cerca de 3.500 anos, as
comunidades da região do vale do Indo, atual norte da Índia, começaram a organizar
um dos sistemas religiosos mais antigos de que temos notícia: o Hinduísmo. Suas
crenças foram transmitidas oralmente de geração em geração por muitos séculos
até serem transcritas nos Vedas, compilação de hinos e preces considerada como
o primeiro livro sagrado da história.
Os historiadores estimam que os
quatro (4) Vedas – Rigveda, Yajurveda, Samaveda e Atharvaveda – teriam sedo
compilados entre 1.500 a 900 a.C. e que a primeira versão em papel seja do
século 2 a.C.
Por envolverem intrincados rituais
que não são mais seguidos e essas quatro escrituras não são úteis atualmente.
O que nos trás o Budismo?
No livro “Budismo – Claro e
Simples, como estar sempre atento neste exato momento, todos os dias” de
autoria de Steve Hagen encontramos algumas afirmações bastante esclarecedoras a
respeito de como devemos observar a realidade.
“Passamos pelo mundo numa trilha estreita, preocupados com coisas
insignificantes que vemos e ouvimos, remoendo nossos preconceitos, passando
pelas alegrias da vida sem sequer saber que perdemos algo. Nunca por um momento
provamos do vinho estonteante da liberdade. Estamos verdadeiramente presos,
como se estivéssemos no fundo de um calabouço, atados a cadeias.” – Yang Chu,
filósofo chinês, século IV a.C..
Há um modo de ir além dessa
ignorância, pessimismo e confusão, e ter a experiência da Realidade como um
Todo – em vez de compreendê-la. Essa experiência não está baseada em nenhuma
concepção ou crença; é a própria percepção direta. É ver antes que os sinais apareçam, as ideias surjam, antes que se
caia no pensamento.
“O ponto central do Budismo é apenas ver. Isso é tudo.”
O que propõe o Buda-Dharma –
Doutrina dos Despertos?
As quatro verdades:
1ª – A vida humana é
caracterizada pela insatisfação. É imperativo reconhecer que nossa insatisfação
se origina em nós. Ela está bem aqui conosco. Ela surge de nossa própria
ignorância, de nossa cegueira quanto a qual é a nossa situação de fato, de
nosso desejo de que a Realidade seja algo que ela não é. O Buda-dharma
baseia-se na Realidade. Ele não é fantasia, nem pensamento veleitário, nem uma
negação do que a vida humana é.
2ª – A insatisfação nasce em nós.
3ª – Podemos compreender a origem
de nossa insatisfação, e podemos, assim, pôr um ponto final às suas formas mais
profundas e existenciais.
4ª – O Buda-dharma nos oferece um
meio de ter justamente a experiência dessa compreensão, chamada, às vezes de nirvana ou iluminação, ou simplesmente a
liberdade da mente.
No Budismo a jornada é para o que
está aqui e agora, despertar para o aqui e agora, para estarmos totalmente
vivos, estar de todo presente. E como fazemos isso?
Para se ter a resposta temos que
compreender três coisas. Em primeiro lugar, devemos compreender verdadeiramente
que a vida é passageira – Impermanência do Ser. Em seguida, devemos entender
que já somos completos, dignos e íntegros. Finalmente, devemos ver que somos nosso próprio refúgio,
santuário e salvação.
Voltando ao nosso assunto, o
aspecto final do caminho óctuplo é a meditação
correta ou concentração correta.
A meditação correta reúne a mente
para que ela se volte para um foco, concentrada e alerta.
Meditação correta é simplesmente continuar com a nossa experiência
imediata a cada momento: Na meditação que se faz sentado, o foco da nossa
atividade envolve o mínimo possível – apenas o corpo, a mente e a respiração.
“Para a meditação, é adequado um
quarto silencioso. Coma e beba moderadamente. Deixe de lado todos os
envolvimentos e interrompa todos os afazeres. Não julgue o bom ou mo mau. Não
pronuncie prós ou contras. Interrompa todos os movimentos da mente consciente,
a avaliação de todos os pensamentos e visões. Não faça planos de se tornar um
Buda. A meditação nãotem nenhuma relação com sentar-se ou deitar-se. No local
em que você se senta regularmente, espalhe colchonetes e coloque uma almofada
em cima. Sente-se de pernas cruzadas, com os joelhos apoiados diretamente sobre
o colchonete. Você deve afrouxar suas roupas e cinto, deixando-os em condição
adequada. Em seguida, coloque a mão direita sobre sua perna esquerda e deixe a
palma da mão esquerda voltada para cima e sobre a palma da mão direita, com as
pontas dos polegares se tocando. Assim, sente-se verticalmente numa postura corporal
correta, não inclinando nem para a esquerda nem para a direita, nem para a frente
nem para trás. Certifique-se de que suas orelhas estejam alinhadas com o seus ombros
e de que seu nariz esteja na mesma direção do seu umbigo. Coloque a língua na parte
frontal do céu da boca, com os dentes e os lábios fechados. Seus olhos devem permanecer
sempre abertos, e você deve respirar suavemente pelo nariz. Uma vez ajustada a sua
postura, respire fundo, inspire e expire, movimente o corpo para a direita e para
a esquerda e sente-se numa posição cômoda e imóvel.”
Note-se que se trata exclusivamente de uma ferramenta para facilitar nossa interiorização e capacidade de ver clara e efetivamente a Realidade.
No Budismo não há o positivismo da moral Cristã, pois Buda viveu 500 anos antes do nascimento de Jesus.
No Budismo não há o positivismo da moral Cristã, pois Buda viveu 500 anos antes do nascimento de Jesus.
segunda-feira, 8 de setembro de 2014
No culto à prece...
“E,
tendo eles orado, tremeu o lugar onde estavam reunidos e todos ficaram cheios
do Espírito Santo.” (Aos, 4:31.)
Todos lançamos, em torno de nós, forças
criativas ou destrutivas. Agradáveis ou desagradáveis ao círculo pessoal em que
nos movimentamos.
A árvore alcança-nos com a matéria sutil
das próprias emanações.
A aranha respira no centro das próprias
teias.
A abelha pode viajar intensivamente,
mas não descansa a não ser nos compartimentos da própria colmeia.
Assim também o homem vive no seio das
criações mentais a que dá origem.
Nossos pensamentos são paredes em que
nos enclausuramos ou asas com que progredimos na ascese.
Como pensa, viverás.
Nossa vida íntima – nosso lugar.
A fim de que não perturbemos as leis do
Universo, a Natureza somente nos concede as bênçãos da vida, de conformidade
com as nossas concepções.
Recolhe-te e enxergarás o limite de
tudo o que te cerca.
Expande-te e encontrarás o infinito de
tudo o que existe.
Para que nos elevemos, com todos os
elementos de nossa órbita, não conhecemos outro recurso além da oração, que
pede luz, amor e verdade.
A prece, traduzindo aspiração ardente
de subida espiritual, através do conhecimento e da virtude, é a força que
ilumina o ideal e santifica o trabalho.
Narram os Atos que, havendo os
apóstolos orado, tremeu o lugar onde se encontravam e ficaram cheios do
Espírito Santo: iluminou-se-lhes o anseio de fraternidade,
engrandeceram-se-lhes as mentes congregadas em propósitos superiores e a
energia santificadora felicitou-lhes o espírito.
Não olvides, pois, que o culto à prece
é marcha decisiva. A oração renovar-te-á para a obra do Senhor, dia a dia, sem
que tu mesmo possas perceber.
Fonte:
Livro Fonte Viva (149) – Chico Xavier / Emmanuel
domingo, 7 de setembro de 2014
quarta-feira, 3 de setembro de 2014
Dar sem saber a quem...
Dr. Marcos Araújo, conceituado médico
cardiologista de pequena cidade do interior, acabara de receber um transplante
de fígado.
Filho único de família abastada fora
adotado ainda recém-nascido quando do falecimento de sua mãe devido ao
complicado parto a que se submeteu. Os recursos eram escassos e a gestação
transcorreu sem o amparo da saúde pública.
Cursou medicina e ainda jovem casou-se
com Cláudia e logo perceberam que seriam pais de gêmeos. A alegria tomou conta
de seus corações.
A vida transcorria e como de costume,
antes do atendimento habitual no consultório, dirigia-se ao Hospital para
visita aos pacientes internados, e todas as manhãs aquela jovem senhora o
esperava a porta de entrada e lhe oferecia pães feitos em casa.
Marcos acreditava fazer o bem e tinha
até uma caderneta junto àquela senhora sorridente e pagava-lhe de 15 em 15 dias
pelos pães que levava para casa.
Os anos foram passando e a rotina
diária permanecia intocada.
Até então desfrutara de vida
confortável junto à esposa e filhos.
Contudo, o mal foi constatado e somente
um transplante de fígado afigurou-se inevitável e única solução para o
restabelecimento físico do Dr. Marcos.
No Hospital a pesquisa por doadores
correu célere e rapidamente encontrou-se doador compatível.
Após breve restabelecimento hospitalar,
agora, encontrava-se Marcos junto à sua família em seu lar quando lhe ocorreu
conhecer o doador que propiciou seu restabelecimento e por consequência retornar
às suas atividades médicas, as quais dedicava verdadeira paixão.
Significava muito para ele e fez
questão de receber em sua casa aquele que, num ato de verdadeira humanidade,
lhe devolvera a possibilidade e a vontade de viver mais saudável e útil.
Paulo, seu amigo, se encarregou de
levar o doador à sua residência na data combinada e levou consigo a ficha
contendo todos os dados pertinentes ao caso para exame mais acurado do
médico-paciente..
Paulo apresentou Vera, a doadora, que
por obra do acaso, tratava-se da mesma senhora de quem Marcos todos os dias
adquiria os pães, logo cedo, à porta do Hospital. Abraçaram-se como nunca
haviam feito e Marcos ao passar as vistas pela ficha de atendimento quase
desmaiou de tamanho susto: “Não é
possível? Não pode ser? Ele e Vera haviam nascido na mesma data e no mesmo
hospital e o nome da mãe de ambos era exatamente o mesmo”. Acabara de descobrir
que possuía uma irmã gêmea!
Tanto tempo se passou e aqueles dois
espíritos encarnados, irmãos biológicos, cada um com suas missões específicas,
encontravam-se dia a dia sem perceber que Deus oferece a cada um de nós o lugar
certo e o momento certo, caso estejamos imbuídos de boa vontade, atender ao
chamado pré-estabelecido no plano espiritual.
*.*.*
Fazer o bem sem saber a quem!
A caridade é o único caminho que
liberta o espírito das amarras de si mesmo.
segunda-feira, 1 de setembro de 2014
Uma pessoa melhor
Aquele espírito sofria muito e há muito
tempo. Na ignorância de si mesmo e de sua situação, descrevia o ambiente em que
se achava, passando a enumerar os sofrimentos, memoriando as tormentas daquela
escravidão dolorosa.
A descrição chocava. Pessoas definhando,
apresentavam feridas de tamanhos e tipos diversos trazidas do ambiente físico recém-abortados.
Seres humanos desfigurados, entregues outrora
aos mais variados comportamentos delituosos, ardiam em pensamentos desconexos e
doentios, clamando por socorro.
A atmosfera psíquica do meio demonstrava
o quanto se podem escravizar nossas mentes focadas somente e tão somente em
perniciosas fantasias onde bailam a cupidez, a ganância, a ambição e a falta de
amor próprio.
Resgatado, aos poucos se acostumava com
o novo ambiente onde o som harmonioso e as luzes energizantes tocavam aquela
alma perdida nos escombros de sua iniquidade e despertavam, neste momento, um
sentimento de gratidão àquela que lhe ofertara suas mãos e o retirara das
sombras abrasadoras e tenebrosas.
Novo mundo lhe descortinava e ao abrir
os olhos verificou e experimentou o fluxo vibratório carregado de amor e
fraternidade que lhe abraçava e o continha em concha fluídica protetora.
Jesus, o Mestre dos Mestres, mais uma
vez, oportunizou a prática da caridade e nos sentimos felizes em compartilhar
com aqueles que ainda distantes da Luz, padecem da falta de fé e esperança, da admirável
possibilidade de vencermos a inércia e o comodismo do nosso espírito
fortalecendo os laços que nos ligam ao Criador.
Na oportunidade, intuitivamente, ofereci
ao consulente desencarnado uma rosa branca fluídica, idealizada por força do
pensamento, a qual indiquei que abrigasse em seu coração. “Vou carregar para sempre em meu coração até o final de minha
existência”, respondeu o recém-restabelecido entre lágrimas e
agradecimentos.
Estabelecido foi, um novo recomeço.
Podemos nos tornar pessoas muito
melhores oferecendo com simplicidade o que de mais precioso detemos em nossos
corações: a possibilidade de elevar os caídos e infelizes utilizando com
autodeterminação e sem recompensas o poder da sugestão do amor e da
compreensão.
sábado, 30 de agosto de 2014
Inteligência Espiritual
Muitos são os discursos em
torno da Inteligência Espiritual. Alguns pensadores colocam-na no terceiro
plano dentre as inteligências de que dispõe o homem para situar-se no universo.
Opino e até reforço que a
Inteligência Espiritual é a única inteligência que possuímos, sendo inerente ao
próprio espírito, princípio de tudo na existência do homem.
O Princípio Inteligente é o
próprio espírito criado por Deus e não há por que dissociar as ideias no campo
das suposições e mesmo no campo da realidade.
Por conseguinte todas as
outras inteligências descritas de maneira pedagógica para explicar a capacidade
do ser humano de estruturar suas ideias e colocá-las em prática utilizando dos mais
variados meios e ferramentas são derivadas da inteligência espiritual.
A capacidade de
avaliar seu interior em contraponto com o exterior, alargando horizontes, tornando-se
mais criativos e adentrando diretamente no significado de nossa existência é resultado
da circulação singular da inteligência espiritual.
Os valores da inteligência
espiritual, aqueles que não podem ser medidos fisicamente, devem ser avaliados
sem preconceitos e longe das crenças, mitos, alegorias, fantasias, fábulas,
lendas e mesmo da religião.
O propósito da vida,
filosofias à parte, é desconhecido para grande parte da humanidade que, independente
de quaisquer vinculações vivenciais, pouco tem procurado no sentido de
estabelecer uma nova forma e um novo conteúdo em suas relações com o
desconhecido Deus.
Inteligência
Espiritual demanda autoconhecimento, independência irrestrita, amor
incondicional, compaixão, observação crítica e ampla, espontaneidade,
diversidade e principalmente respeito, responsabilidade e ética para com toda a
criação.
Inteligência
Espiritual é, nunca será.
Imaginemos um nevoeiro
muito forte se dissipando com o raiar do Sol e poderemos ter uma breve noção de
como a Inteligência Espiritual interage e direciona sua própria existência.
Inteligência
Espiritual é o próprio mistério da vida!
sexta-feira, 29 de agosto de 2014
Apometria e Umbanda
O termo apometria é composto de
duas palavras gregas: “apo”, que significa além
de, e “metro”, medida – “Medida do além”.
Designa o desdobramento
espiritual, ou ainda, a bilocação. É um processo de desdobramento do corpo
astral ou do mental a fim de que os médiuns possam ter contato, quando
desdobrados, com os planos espirituais, especificamente com os mundos astral e
mental.
Na técnica apométrica, colocamos médiuns
e consulentes desdobrados em contato com médicos e hospitais do mundo astral
para serem melhor atendidos pelos médicos do além. A utilização de médiuns
videntes é de grande importância, pois podem relatar nos mínimos detalhes todas
as ocorrências observadas durante a intervenção.
A apometria não é só um método de
tratamento espiritual como também de efetiva atuação na magia, desmanchando “trabalhos”,
combatendo os magos negros e suas hordas de espíritos obsessores.
Com a apometria, o processo
terapêutico se diversifica, oferecendo uma medicina mais ampla, com resultados
surpreendentes, ainda possibilitando a regressão de encarnados e desencarnados
a vidas anteriores, mostrando as ligações cármicas do pretérito, ensejando,
dessa maneira, tratamentos com efeitos duradouros.
O paciente nada percebe do que
ocorre durante o tratamento e, concluído este, é conduzido de volta ao seu
corpo físico.
A técnica apométrica associada à
Umbanda tem a vantagem de contar com a cobertura completa do plano espiritual,
contando com as entidades que são especialistas na magia e que voluntariamente
escolheram o trabalho pioneiro de enfrentamento direto dos entrechoques
cármicos.
Segundo o Espírito Ramatis, no
livro “Samadhi” (médium Norberto Peixoto),
“nos grupos apométricos, os pretos velhos, os índios e os caboclos são aceitos
e bem-vindos para exercitarem o trabalho de caridade, propiciando a cura e o
soerguimento das criaturas pela manipulação etérea dos elementais da natureza e
das energias nas sete faixas vibratórias do Cosmo. Essas técnicas magnetizadas
separatórias dos corpos mediadores sempre foram utilizadas pela Espiritualidade
em toda a história da humanidade terrena”.
O nosso Amigo Espiritual finaliza
ainda afirmando que “a todo atendido em
grupo apométrico deve ser recomendado que continue a sua evangelização cristã e
se integre aos demais trabalhos de palestras e passes”.
Fonte: Umbanda, Essa
Desconhecida – Roger Feraudy.
quarta-feira, 27 de agosto de 2014
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